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NOVO ENDEREÇO
Todas as postagens deste blog foram transferidas para o endereço: http://meajudaaolhar.wordpress.com Agradeço pelo espaço aqui conquistado, pelas mais de 6000 visitas às mais de 200 postagens! Parto em busca de um espaço melhor, mais belo, com mais recursos... mais possibilidades! Lili
Escrito por Lili às 21h42
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Lembretes
Eu gosto de quando as crianças me lembram de fazer algo que combinamos. Me mostra que se apropriaram do instrumento e que enxergam a funcionalidade do seu uso no nosso dia a dia... Afinal, combinamos porque era importante para o grupo, não? Ontem, na roda, vários querendo falar ao mesmo tempo e eu pedindo para se organizarem, levantarem a mão, etc. Me vira a Jhe, ao meu lado, calmamente e diz: - Lili, por que não usa a canetinha? Lembra que a gente combinou de só falar quem tava com a canetinha na mão? Nota: ela falou desse jeito mesmo. Falou "combinou". Eu fiquei emocionada! Outro dia, ainda na roda, estava uma confusão, com vários falando e o Jopê olha para mim, levantando as sombracelhas, como que cobrando... - Palma, palma, palma...
Escrito por Lili às 08h14
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O momento da verdade!
Na nossa roda "ponto alto e ponto baixo" de segunda, quatro crianças reclamaram que o Jogá bateu nelas em algum momento do dia... Jogá ficou arrasado, não esperava ouvir aquilo. Não sabia onde enfiar a cara, abaixou a cabeça e ouviu tudo quieto. Chega a vez do Edi e ele diz que também não gostou que o Jogá bateu: Aí, ele levanta a cabeça, indignado, senhor da razão e diz: - Mas eu não bati no Edi. Eu bati nos outros, mas no Edi, não. É mentira, é mentira! E a resposta do Edi: - Eu não estou falando que você bateu em mim. Estou falando que eu não gostei que você bateu nos meus amigos! E Jogá volta a baixar a cabeça e voltou a ficar quieto novamente!
Escrito por Lili às 08h09
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Os índios...
Semana passada foi dia do índio. Passou batido por mim! Falo sempre que posso sobre o assunto e não é preciso que chegue uma data pra falar alguma coisa no dia e depois nunca mais tocar no assunto... No dia seguinte, estou conversando na roda sobre algumas coisas que vêm acontecendo na turma e o Jogá levanta a mão. Penso que é para falar sobre o assunto, mas não: - Ontem foi dia do índio, mas não existem mais índios... - ele diz. - Como assim, Jogá? - Acabaram tudo, morreram! Não tem mais! Opa, pára tudo! Começamos a conversar sobre o assunto. De onde ele tinha tirado isso? - É que a gente não vê índio por aí... Ahhhhhhhhhhh! Sim! Conversamos sobre os índios morarem aqui antes dos portugueses chegarem, sobre como foram sendo expulsos de suas terras e que, de fato, estão diminuindo mesmo, mas não acabaram não. Existem poucos, mas ainda tem. Hoje, levo o livro "Kabá Darebu", do Daniel Munduruku para ler para a turma. Alguns super interessados, atentos, ouvindo o indiozinho do livro contar sobre sua tribo. Outros, nem tanto. Mas... prossegui! Do nada - incrível como algumas coisas são do nada! - o Jopê pergunta: - Mas, Lili, índio é vivo? De novo aquele 'pára tudo'!!! - Como assim, Jopê? - Vivo, assim, que nem a gente? - Ué, mas índio é gente! - Gente? Mas... é igual? Eles comem? - Sim. - e voltamos no livro e vimos umas partes em que conta das caças, das comidas que gostam... - Ahhhh.... - e virou para o lado e voltou para o universo paralelo olhando sei lá pra onde... Fiquei um pouco assustada com a conversa, confesso, mas cheia de ideias de como podemos prosseguir com isso...
Escrito por Lili às 22h48
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Sorriso na pergunta
Adoro quando me perguntam algo com o sorriso no rosto. Hoje o Jopê me perguntou se íamos continuar a assistir o sítio do picapau amarelo...
Escrito por Lili às 04h30
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Canteiro de obras!
Eu estava sentindo falta de construir coisas! Então, vendo com gostavam de brincar de casinha, propus que construíssemos móveis, primeiramente de caixas de leite. As caixas começaram a chegar (pedi doação dos pais), mas ainda poucas e estão sendo guardadas. Enquanto isso, pensei em construir outras coisas, começar logo pra ver se a coisa engrena! Então peguei caixas, uma que parece uma cama e outra grande, que achei que serviria pra alguma coisa e trouxe para pensarmos juntos em algo. Pus na roda ontem, contem a idéia, mostrei as caixas, ficaram empolgados. A caixa grande vai virar um guarda-roupa, a outra vai ser cama mesmo. Abrimos um ateliê para pintá-las. Ontem também tinha um ateliê para pintar umas sacolinhas para as crianças levarem o livro emprestado para casa, um de pintura com anilina para a capa do caderno de recados e um de carrinhos e blocos de montar. Na hora em que me vi propondo três ateliês de pintura me achei uma louca! Mas fui. Confiei que a gente conseguiria (um pouco desconfiada, confesso). Foi uma beleza. Se organizaram, pintaram, lavaram os pincéis, limparam as mesas. Quando eu vi, tinha até um limpando uma cadeira suja e alguns respingos de tinta que caíram no chão. E foi logo o Edi, que descobriu que adora limpar o chão outro dia! Agora quando termina o ateliê de pintura, ele logo pega a buchinha e vai procurando restos de tinta para limpar. E o melhor que estou lembrando agora: ele não estava no ateliê de pintura, estava no de carrinhos. Ele veio ajudar depois. O meu PONTO ALTO do dia foi quando alguma criança na roda final disse que o ponto alto dela foi a pintura da sacolinha.
Escrito por Lili às 04h28
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PONTO ALTO E PONTO BAIXO DO DIA
Vinha sentindo, há muito tempo, a necessidade de um momento de avaliação do dia. Mas não conseguia encontrá-lo, por conta da própria organização da creche: os horários de lanche e jantar e a chegada das peruas que leva a maioria das crianças da turma, às 16h30. E esse momento veio sendo cada vez mais necessário, então fiz um teste que vem dando certo: logo após o jantar, antes da perua chegar. Começamos segunda. Comecei pedindo que cada um pensasse no que foi mais legal no dia, o que mais gostaram, e o que foi mais chato, o que não gostaram. Eu comecei falando. Falei sobre a brincadeira de aniversário no parque, como ponto alto, e as brincadeiras que atrapalharam a roda inicial, como ponto baixo. Seguiram. Alguns entenderam a proposta logo de imediato e se propuseram a pensar sobre seus pontos altos e baixos do dia. Alguns, trocavam os pontos: diziam coisas ruins como boas e vice-versa. Outros ainda, diziam duas vezes a mesma coisa. Não iam entender todos ao mesmo tempo e tudo de uma vez, eu sei. Fiquei animada. No segundo dia, vi que estavam animados para este momento. Todos querendo ouvir o que os colegas achavam como mais legal e mais chato do dia. O ponto alto mais enunciado foi a brincadeira que o Lauro fez, de ambulância aos "acidentados" de motoca. Aí eu fiquei pensando: que legal ter esse momento em que a gente pode ter mais claro algo que gostaram, porque a gente tava lá, viu que eles gostaram, que estavam brincando empolgados, mas assim a gente consegue ter uma dimensão diferente. E começaram a surgir alguns conflitos como ponto baixo: alguém que bateu com a motoca, alguém que empurrou, etc... Acho importante trazer para o grupo estas questões, porque geralmente conversamos com os envolvidos e a coisa se encerra ali. Tendo este espaço, é uma oportunidade de retomar coletivamente os conflitos e combinarmos juntos formas de agirmos.
Escrito por Lili às 02h41
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"nós na fita!"
Na segunda-feira passada levei a câmera e os filmei no parque. Depois do jantar, peguei a televisão e mostrei para eles. Amaram! Quando terminou, pediram para ver de novo! Foram se vendo, lembrando das brincadeiras que fizemos... Muito gostoso mesmo!
Hoje, chego na sala e a televisão estava lá novamente. Talvez usaram de manhã e ela acabou ficando lá. O Jopê vira e fala: - Vamos ver na televisão a gente no parque de novo? Aí a gente mostra pro Edi, que faltou no dia...
Escrito por Lili às 00h46
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Pensando sobre os ateliês II
Organizando os ateliês do dia, na terça-feira, me deparo novamente com a recusa de Jopê. Eu quero entender o que não gosta de fazer, o que o está incomodando com relação a isso. Pergunto. Ele só diz que não gosta. Por quê? Queria fazer outra coisa. O que? Não sabe. Explico que é um momento de trabalho como outros que fazemos na escola. Que ele pode sugerir o que gostaria de fazer, que ele pode escolher o que gostaria de fazer. - O que você quer fazer? - Eu quero ver aquele jogo de estrelinhas (um jogo Cara a Cara que estava no armário e tem estrelinhas na caixa)... - Então vamos abrir um ateliê desse jogo. Outras sugestões da turma: - Massinha!!!!!!! Sempre! Abrindo o armário para pegar o Cara a Cara, achei um jogo Lince. Abri um ateliê de Lince também. O professor de Educação Especial estava neste momento na sala e ficou no ateliê do Lince. Eu fiquei no Cara a Cara. Acho o jogo tão legal, mas ainda complexo para essa idade (3/4 anos). O Jopê foi nesse. Brincou bastante, depois foi no Lince. Brincou bastante também. Quando estávamos arrumando a sala, ele vira para mim e fala: - Adorei os jogos... Eu podia ter ficado quieta! Mas não. Não consegui e disse: - Viu só como esse momento pode ser legal. Não foi legal os ateliês hoje? - É, foi!
Hoje, ele sugeriu o ateliê de Lince novamente. Eu sugeri que ele ficasse de organizador do ateliê, mostrando as figuras aos demais (papel do Lauro, no outro dia). O outro ateliê, de massinha, estava cheio. E aos poucos, as crianças foram saindo da massinha, puxando a cadeirinha e indo jogar Lince. E eu fiquei de fora, só observando.
Escrito por Lili às 00h38
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Fazendo bolo
Sempre gostei das culinárias, de cozinhar junto com as crianças, ver a transformação dos alimentos... Pegar farinha, água, sal e fermento e fazer virar pão. Acho o máximo! Semana passada fizemos um bolo para finalizar nossas conversas sobre a páscoa, para partilharmos juntos! Quando entramos no refeitório, eles viram o liquificador gigante que tem lá, mostramos os ingredientes. O Jogá viu tudo aquilo, arregalou os olhos, abriu um sorriso e disse: - A gente nunca fez isso...
Escrito por Lili às 00h19
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Outra carta do Coelho?
Ontem, enquanto estávamos organizando a sala, guardando materiais, brinquedos, etc, vem a Jhe, com um papelzinho que encontrou no chão na mão, toda animada: - Olha, Lili, outra carta do Coelho!!! Na verdade, era um bilhete de uma mãe comunicando que o filho estava doente, que caiu do meu caderno...
Escrito por Lili às 23h10
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Pensando com Freinet
Pensando sobre o ateliê, me deparo com o seguinte texto:
"Todos gostam de escolher o seu trabalho, mesmo que essa escolha não seja vantajosa. Dê uma bala a uma criança. É claro que ficará satisfeita, mas nem por isso deixará de olhar com desejo o resto da caixa. Apresente-lhe a caixa para a escolha. Ficará muito mais satisfeita, ainda que não tenha escolhido a melhor. Já nos referimos à maneira pela qual, na preparação do trabalho, deixamos às crianças a escolha dos temas em lugar de os distribuirmos aleatoriamente. Este invariante é uma das razões que constituem o sucesso de nossos fichários autocorretivos e de nossas tiras de ensino. Com o manual de cálculo, a criança não tem nenhuma margem de liberdade. Os exercícios são impostos pelo livro ou pelo professor. À criança só resta se alinhar sem dizer nada. Dê às crianças a liberdade de escolherem seu trabalho, de decidirem quanto ao momento e ao ritmo desse trabalho, e tudo mudará. Imponha aos seus alunos um texto para ler e para estudar. Eles não têm nem apetite nem entusiasmo. Dê-lhes a liberdade de escolher, como fazemos com o texto livro, e o trabalho será feito num clima muito mais favorável. Este princípio, válido para todos os indivíduos, justifica a sobrevivência do artesanato na França. O operário prefere, ao trabalho imposto da fábrica, sua atividade de artesão, que executa no horário e no ritmo que lhe convém, mesmo que essa escolha lhe traga jornadas mais longas e cansativas." (Texto das Invariantes Pedagógicas, nº7 - traduzido pela Ruth Joffly)
Escrito por Lili às 08h01
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Visualizando a rotina
Ano passado eu fiz cartões com os diversos momentos da nossa rotina e organizava com eles, diariamente, no início do dia o que faríamos. Neste ano, quis retomar uma outra maneira, que aprendi com minha amiga Anita, utilizando símbolos e escrevendo junto com eles a cada dia. Essa rotina depois é afixada na porta da sala. Assim, a todo momento, eles sabem o que combinamos, qual será a próxima atividade que faremos. Foi esse papel, que o Vi ficou encantado lendo outro dia! Foi esse papel que o Jopê olhou e quis pular o ateliê, porque sabia que logo em seguida seria o parque! Já se apropriaram! Eu gosto dessa maneira também, porque depois posso guardar no livro da vida o que fizemos...

(legenda: lanche, roda, ateliê, vídeo, lavar as mãos, jantar, escovar os dentes, tchau!)
Escrito por Lili às 03h45
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Das cartas do Coelho
Falei do meu encantamento com a alegria das crianças com a carta do Coelho outro dia. As cartas continuaram... Ontem, chegou uma carta que perguntava se sabiam o que era páscoa. Aí a gente conversou na roda, cada um foi contando o que entendia que era. - É o coelho. - Quando o coelho vem. - Quando tem ovo de páscoa. (...) Aí vem o Jopê, no alto de sua sabedoria e diz: - Não tem o ovo? O ovo não é da galinha? Então, na páscoa tem ovo. Mas o ovo não é a páscoa... - Mas então o que é a páscoa? - Aí eu já não sei... Mas não tem todo ano Natal, Ano Novo... Então, tem páscoa todo ano... E no meio desta conversa, pára e diz: - Mas por que ele tá perguntando o que é a páscoa? Ele não sabe? Ele não é o coelho da páscoa? - Sabe, Jopê, ele sabe sim. Acho que está perguntando só pra saber se a gente também sabe... E rindo por dentro... Aí hoje, o Coelho mandou outra carta, falando um pouquinho dos vários significados que a páscoa tem para diferentes povos... E a carta começou assim: "Gostei do que vocês falaram sobre a páscoa ontem..." O Jopê já emenda: - Ah! Ele leu o que você escreveu no nosso Livro (o livro da vida)! E já estão começando a ficar indignados do Coelho vir na escola sempre quando não estão... Ou quando estamos em outro espaço! - O que podemos fazer? - A gente tem que avisar ao Coelho que não estamos aqui. Senão ele chega e vê a sala vazia e vai embora, porque pensa que não tem ninguém. Mostrei a rotina: - Será que se ele ver a nossa rotina na porta, vai saber que a gente está em outro espaço? - Acho que não. Acho que ele não é muito bom pra entender essas coisas... - franzindo o nariz negativamente. - Melhor a gente escrever onde está!
Escrito por Lili às 03h34
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Iniciando a Roda
A cada dia, um passo! Outro dia, combinamos de fazer a roda com cadeiras. Tá ficando melhor mesmo. Acho que ajuda a visualizar melhor o "redondo", como eles mesmos disseram. Quando voltamos do lanche, já vamos direto fazer a Roda. Agora, alguns já estão começando a se lembrar que sempre fazemos isso e estão indo direto para o espaço onde sempre a fazemos. Aí eu vou chegando, falando para os outros, que vão pegando a cadeira, colocando na roda e por aí vai... Quem já está na roda, vai conversando com o colega, alguns brincam, riem... Mas quando já está tudo arrumado pra começar, eu acabo ficando com aquele "Gente, vai começar... Gente, vamos começar", e isso tava me incomodando. Ontem, eu virei e falei: - A gente já está se organizando bem legal pra roda, mas eu tenho que ficar um tempão aqui falando que vai começar e tem gente que demora pra perceber... A gente tá perdendo tempo... Vamos combinar uma coisa pra todos saberem que a roda está começando? Todos concordaram. - Pode ser uma música? A gente combina uma música. Aí quando a gente cantar, já sabe que logo depois vai começar a roda. Alguém tem alguma idéia de música? Silêncio. Em seguida, o Cagab diz: - Roda, roda, roda, pé, pé, pé... Taí, combinamos! Treinamos uma vez para ver se daria certo! Deu!
Escrito por Lili às 03h22
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"Me ajuda a olhar!"
(Eduardo Galeano)
"Se você não voltar a ser como
uma criança, não entrará no
reino encantado da pedagogia"
(Celestin Freinet)
"Pode entrar...
E não precisa deixar
a vida na porta."
(Anita San Martin)
"Eu não sou eu
Nem sou o outro
Sou qualquer coisa
de intermédio...
(Mário de Sá Carneiro)
"Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
(...)
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?
(...)
(Adriana Calcanhoto)
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